
Ingênuos são vocês que pensam que é impossível existir uma amizade sem interesses entre um homem e uma mulher.

E por mais que os anos passem, sempre vai ter alguém pra me lembrar do meu passado mal feito, das burradas e más escolhas que fiz, tento evoluir e até consigo mas tem gente que só dá valor a merda; Dá pra parar de me rotular?.
Jeiciane Mendes (Mas eu insisto)
Eu estava ali, sentada na cafeteria, sozinha. De novo. Os garçons já sabiam o que eu ia pedir, e que eu sempre chegava ali às 18:30, depois do trabalho. Eu amo café. Enquanto os meus colegas de trabalho preferiam achocolatado, eu acabava sozinha com todo o café da sala principal. Não faz bem, eu sei, mas… ah. Quem liga? Eu só trabalhava mesmo. A maioria das pessoas que trabalhavam comigo tinham um objetivo como “Eu tenho uma família pra sustentar” ou “Eu tenho que pagar a minha faculdade de medicina”. Mas eu… não tinha um objetivo sabe, eu fiz um curso, a vaga apareceu, tentei entrar e entrei, só isso. Meus pais já faleceram a alguns anos, meu único irmão sumiu no mundo com aquela namorada dele. A gente não tinha um relacionamento muito bom. Aí era a minha rotina né… acordar antes dos pássaros, tomar banho, e sair, passar na padaria pra comprar uma rosquinha e aqueles salgadinhos, deliciosos mas nada saudáveis. Ficar uma hora no ônibus com meus fones de ouvido, que já estavam me deixando surda, mas não consigo viver sem eles. Chegar no trabalho, fazer o que tem que fazer, sair do trabalho, passar na cafeteria, cumprimentar o dono. Chegar em casa, checar meu e-mail, às vezes vejo um filme, e vou dormir. E uma vez por mês vou pegar a miséria de salário que eu recebo. Ah, e nas folgas ou feriados eu passo o dia todo na biblioteca. A mulher disse que acha que eu sou a pessoa que já leu mais livros lá. Eu não acredito não.
Um dia desses eu cheguei no trabalho e resolvi ir beber meu café, às 10:00. E eu cheguei na sala principal e a jarra estava pela metade… será que alguns dos meus colegas resolveu provar o café, de tanto que eu insisti? Eu hein, esse pessoal é meio estranho. Voltei pra minha mesa. Sou culta, mas muito desastrada sabe? Quando coloquei o café na mesa derrubei minha pasta com milhares de papéis. E ela estava aberta. Levantei pra pegar as coisas do chão, e um cara enorme, estava passando e acabou pisando em cima dos meus papéis.
- Ei, olha onde anda! - Ele olhou pra baixo, assustado. É que eu estava abaixada, e já não sou muito alta.
- Desculpe, eu… não vi, deixa que eu te ajudo.
Eu sei o que você deve estar pensando. “Que coisa clichê idiota”. E foi mesmo. Ele abaixou e começou a catar os papéis. Ele tinha um topete muito estranho, o cabelo dele era castanho escuro, e ele usava uns óculos, uma gravata e segurava um copo de café… ei, foi ele, que bebeu o café da sala principal. O meu café.
- Desculpe mesmo, eu sou novo aqui.
- Não… tudo bem.
Eu chego com tanto sono que nem reparei que ele estava sentado na cadeira do lado da minha. Ele era bem bonito e ironicamente, era o maior nerd, e tímido. Esse dia que eu derrubei os papéis, foi a única vez que eu o vi pronunciar uma palavra em semanas.
Outro dia. Você já sabe, cheguei no trabalho, com muito sono, às 10:00 fui pegar meu café e pá. A diferença foi que eu encontrei ele lá. O nerd bonito. Ele estava pegando café e eu tive que esperar. Que estranho, eu nunca precisei esperar na fila do café. Pois é, pra tudo se tem uma primeira vez. Ele estava com uma dificuldade pra pegar o café, que eu estava morrendo de vontade de rir. Mas eu queria logo o café, aí tive que ajudá-lo.
- Tá conseguindo aí? - Ele olhou pra mim tipo “Que vergonha, eu não consigo pegar o café”.
- É, na minha cidade as máquinas de café são meio diferentes dessa.
- É só apertar aqui em cima, viu? - Ele estava mesmo prestando atenção, que nem uma criança de cinco anos.
- Ah, sim… obrigado. Pelo jeito o pessoal aqui não gosta muito de café. Eu sou meio viciado.
- É, eu também amo café, principalmente no frio.
- É! - Ele me olhou todo feliz, como se nunca tivesse visto alguém que gostava de café. - Qual é o problema deles?
- Estou tentando descobrir a meses! (risos).
Até que ele era bem simpático pra alguém que nunca fala.
- Mas em… - Não sei o que deu em mim, sério. Eu nunca chamo ninguém pra ir em lugar nenhum, eu gosto da minha solidão. Mas, sei lá. Talvez eu tenha cansado dela. - você já foi a essa cafeteria aqui em frente?
- Não… mas sempre pensei em ir um dia.
- Nossa, você fala como se fosse muito longe! - Ele riu, eu também. Claro, eu sou muito hilária. Ok, eu não sou. Mas o que importa? Ele riu.
- Então, vamos? Hoje depois do trabalho?
- Claro, vai ser um prazer.
Ele falava tão chique. A voz dele era grave e baixa. Linda. No final do expediente a gente foi na cafeteria. Eu a-m-a-v-a aquele lugar. Estava chovendo muito.
- Mas você bebe café assim todo dia?
- Assim como?
- Assim… café forte e em grande quantidade.
- Sim. Você não?
- Não tanto assim. Dizem que não…
- …faz bem. Todos me dizem, mas eu não me importo muito sabe.
- Como assim? Não se importa com a sua vida?
- Eu até me importo. Acontece que, nenhuma das pessoas que me falam pra eu se preocupar comigo, parar de beber café freneticamente e comer salgadinhos no café da manhã, se importa mesmo que eu continue viva. Eu não consigo me importar comigo sozinha.
Ok, eu falei isso para um cara que eu praticamente não conheço. Mas, sei lá, ele me passava confiança sabe. Não só sua aparência, ele olhava bem fundo nos meus olhos, como alguém que diz “Não tenha medo, eu não vou te julgar”. Nossa, faz anos que eu não sou clichê assim. E eu estava amando.
- Tem certeza que ninguém se importa?
- Tenho.
- Tem certeza? Nem alguém que trabalha junto com você todo dia? Alguém que tenha chegado no primeiro dia de trabalho, e achado você encantadora derrubando um monte de papéis, com essa franja que vai sempre nos seus olhos, e essa mania de balançar a cabeça quando erra em alguma coisa? Alguém que tem observado todo dia a hora que você vai pegar seu café, e tenha planejado ir na mesma hora? Alguém que tenha fingido não conseguir abrir a garrafa só pra ter a sua ajuda?
Nossa. Nossa. NOSSA MEU. Meus olhos arregalaram. Esse garoto que nunca fala nada estava me observando? Ele fingiu não conseguir abrir a garrafa? Essa foi a coisa mais… mentirosa e linda que alguém já me disse.
- Olha a hora, eu tenho que ir. Se cuida.
- Farei isso.
- Promete?
- Prometo.
-Nayara Viana

Adoro fazer as pessoas sorrirem, mesmo eu não estando bem. - free-feelinggs

Que ironia eu acabo parando no mesmo circulo, e o medo me diz pra não prosseguir, que você é igual á eles, que vai me inludir á toa, que serei fantoche outra vez, mais o coração me mostra que não, me mostra o quão diferente deles você é, o quanto que me faz rir, e a imensa segurança que transmite. E aí o medo vem novamente e sussura ” Com os outros o começo tambem foi um mar de rosas”
theme por nostalgia-surreal; base por amar-gura e memorias agridoces; alguns detalhes da heylove e elasocurtejackdaniels; não seja um filho da puta, crie vergonha nessa sua cara, e faça o favor de não copiar nada aqui. Obrigado rsrs